A INFÃMIA CÚRIA

Aprendi a engolir discursos azedos
para depois vomitar reclamos atentos 
sobre o colo de pulhíticos lazarentos
na ânsia de algum mínimo consenso.

Mas todos os juízes estão bêbedos
ao admitirem que, deveras soberbos,
podem validar recursos, contratempos
e promover equivocados desfechos.

Em meus olhos só há farpas de veneno
certa indignação poética em meus dedos
por não aceitarem o desumano despejo
de corpos e almas em solitários aterros.

Rogo em clara voz por discernimento
onde a vida não seja o mero sustento
de ar, pão e água para eternos detentos
relegados à compaixão de avarentos.

Ó irmãos de pátria, criação e arremedos
alcemos a bandeira no mais altivo arvoredo
para não mais sermos desprezados brinquedos
nas mãos dessa infâmia cúria de pelegos.

2016