BREVÍSSIMO TRATADO SOBRE A SAUDADE

Saudade é para os grandes
não para os que, pequenos, sentem falta.

Eu sinto falta
muita falta da presença
mas não grito
como cabe aos gigantes.

Quem ouviria o despertar
incômodo do grão de areia
ante a rouquidão da ressaca?

E o que importa ser ouvido
se o que há a dizer
é a correnteza contínua
do mais brutal silêncio?

A dor não se mede
pela extensão do deserto
mas pela capacidade
de inventar o mar.

Saudade é para os distantes
não para os que, barcos, ficam para sempre.

2018