O INDEVIDO

Prazeres e amargores se misturam
no azeite denso da memória.

O que semeei no corpo amado
provei rascante em mesa alheia:
fui de quem o suor só exalava pedras de sal.

O que de fato floresceu
rompeu as fronteiras da alegria temperada
e me entornou o aroma de mais querer.

O desejo obrigou-me a regar o indevido
porque apenas no indevido posso manter intacto

o sabor que o outro não mais reclama.


2011