NA HORA DA VERDADE

Declarou jogar bola como ninguém
camisa 10 de qualquer equipe
craque de seleção brasileira.
Brincava nas onze
e ainda sobrava fôlego para as prorrogações
e as disputas de pênalti necessárias.
Na sala de troféus do seu prazer
títulos regionais, nacionais e internacionais.

Levei fé no seu gingado
Comprei bandeira e uniforme
Compus um novo hino
Mandei fazer carteirinha, com carimbo e tudo.
Mas bastou entrar em campo
para mostrar um joguinho pra lá de devagar:
muita defesa, meio de campo complicado, pouco ataque
e gol que é bom, nada.

Decepção total para a torcida de um só torcedor
que na arquibancada do desejo
teve que se contentar com um triste 0 x 0
quando esperava a tão decantada goleada.
Sem ter como explicar a vergonhosa atuação
ainda tentou um drible aqui, uma jogada de efeito ali
mas desconhecia a tática de fazer uma tabelinha
para deixar o companheiro na cara do gol.

Na saída, garantiu que, na próxima partida,
começaria me dando um gol de vantagem.
Não teria como cumprir a promessa
e aí resolvi nem pedir a revanche
quanto mais uma melhor de três.

Um vexame em verde, amarelo, todas as cores
que até o arco-íris desistiu de aparecer
nos estádios nas tardes de domingo.
Rebaixado para a segunda divisão
trocou a carreira de jogador pela de comentarista
com muitas frases feitas, credibilidade nenhuma
sem conseguir se livrar da má fama conquistada
e confirmando a falta de habilidade para, na hora da verdade,
mostrar o tal talento que Deus lhe deu
– ou se esqueceu de emprestar.
                                     
No álbum de figurinhas do meu time
em vez da sua fotografia uma frase:
não se canta vitória antes do jogo terminar.


2009