Poemas liquefeitos
por natureza, marítimas defesas:
a razão é farol que não dorme
para vigiar toda a costa.
Se descubro um verso
a calma dá-se à voragem de peixes
a brumas de candeeiros
que lá no fundo se acendem.
Se naufrago um poema
a maré, em procissão,
é pasto de luz para o reencontro
de dornas e marujos perdidos.
É quando o mundo faz algum sentido
e a vida, sem sentido algum, pode ser bela.


2012