Poema de mar 1

O litoral da cidade em que nasci
amanheceu coroado de flores.

Tua chegada
tão inesperada quanto o dia
destruiu o quebra-mar da insônia.

Dei-te a terra
posto que as águas possuías.
Rompi a promessa
de, só, me dedicar às melancolias –
parecias familiar.

Por tua única causa, passei
a arrumar os algaços do caos
caminhar sem precisar de desculpas
libertar caravelas de velhas rotas
aos outros inspirar versos e confiança.
 
Tua permanência
tão inesperada quanto a leveza
fez de mim porto brando e belo.


2012